O ciclo de preços de quatro anos do Bitcoin é comumente atribuído às reduções pela metade, mas um modelo macroeconômico concorrente, conhecido como “Everything Code”, defende que os ciclos globais de liquidez e endividamento são o verdadeiro fator determinante do comportamento das criptomoedas e do mercado em geral.
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Visão geral: Duas explicações para os ciclos recorrentes do Bitcoin
Desde que A criação do Bitcoin Em 2009, seu preço seguiu um ritmo aproximado de quatro anos: acumulação, expansão, euforia e correção. Historicamente, esses ciclos têm se alinhado estreitamente com o cronograma de halving, no qual a recompensa por bloco para os mineradores é reduzida pela metade a cada 210.000 blocos (aproximadamente a cada quatro anos).
No entanto, como Bitcoin À medida que o Bitcoin amadureceu e se integrou ao sistema financeiro mais amplo, seus ciclos têm se correlacionado cada vez mais com a liquidez global — a expansão e a contração da oferta monetária e do crédito nas diversas economias. Isso levou alguns analistas, incluindo Raoul Pal e Julien Bittel, da Global Macro Investor (GMI), a argumentar que o ritmo de quatro anos do Bitcoin não está apenas codificado em seu protocolo, mas sincronizado com as ondas de liquidez macroeconômica global.
O resultado: duas perspectivas para analisar os ciclos do Bitcoin — uma nativo de criptomoedas e um macro-global - cada um explicando parcialmente o mesmo padrão sob diferentes ângulos.
A Hipótese da Redução pela Metade do Bitcoin
Definição e Mecanismo
A cada 210.000 blocos, o prêmio por bloco do Bitcoin é reduzido pela metade — diminuindo a quantidade de novas Mineiros de BTC receber pela verificação das transações.
- 1ª redução pela metade (2012): recompensa reduzida de 50 para 25 BTC
- 2ª redução pela metade (2016): 25 → 12,5 BTC
- 3ª redução pela metade (2020): 12,5 → 6,25 BTC
- 4ª redução pela metade (2024): 6,25 → 3,125 BTC
Essa redução programada limita a nova oferta de Bitcoin (o “fluxo”), enquanto a oferta total se aproxima de um limite máximo fixo de 21 milhões BTC. A lógica é simples: se a demanda permanecer estável ou aumentar enquanto a emissão de novos títulos diminuir, os preços devem apresentar uma tendência de alta.
Cadeia causal
- O redução pela metade reduz a receita dos mineradores e a entrada de novos BTC em circulação.
- Com menos moedas disponível para venda, a pressão marginal de venda diminui.
- Os participantes do mercado antecipam o choque de oferta e compram antecipadamente.
- A redução da oferta após o halving, aliada ao otimismo dos investidores, impulsiona uma alta no mercado.
- A alta acaba por ultrapassar o nível ideal, levando a uma correção e consolidação até o próximo halving.
Evidências empíricas
Historicamente, esse modelo se alinha bem ao gráfico de longo prazo do Bitcoin:
- Redução pela metade em 2012 → alta em 2013: O preço subiu de cerca de US$ 12 para cerca de US$ 1.100.
- Halving de 2016 → alta de 2017: O preço subiu de cerca de US$ 650 para quase US$ 20.000.
- Halving de 2020 → alta de 2021: O preço disparou de cerca de US$ 9.000 para cerca de US$ 69.000.
Cada halving foi precedido por um grande mercado em alta, atingindo normalmente seu pico entre 12 e 18 meses depois.
Pontos fortes
- Verificável mecanicamente — garantido pelo código do Bitcoin.
- Uma programação previsível cria uma forte âncora narrativa.
- Explica o ritmo histórico do Bitcoin e a psicologia dos investidores.
Limitações
- A redução absoluta na quantidade de novos BTCs torna-se menor à medida que a oferta total cresce; o efeito se torna menos pronunciado com o passar do tempo.
- Isso não explica os movimentos sincronizados em outros mercados (ações, títulos e commodities).
- É suscetível ao “reforço narrativo” — a crença de que o preço deve subir simplesmente porque já subiu antes.
A Estrutura do Everything Code
Definição e Mecanismo
O Código do Tudo é um modelo macroeconômico desenvolvido por Raoul Pal e Julien Bittel, da Global Macro Investor (GMI). Ele defende que Crescimento do PIB = crescimento populacional + crescimento da produtividade + crescimento da dívida, e como o crescimento populacional e a produtividade estão diminuindo em nível global, as economias agora dependem de expansão da dívida e criação de liquidez para sustentar o crescimento.
Essa dependência torna os preços dos ativos — desde ações até o Bitcoin — cíclicos e sensíveis à liquidez. A equipe do GMI resume a cadeia causal da seguinte forma:
Condições financeiras → Liquidez → ISM (ciclo econômico) → Preços dos ativos
Nesse modelo, o ritmo dos mercados não decorre do código do Bitcoin, mas da política do banco central, dos ciclos de refinanciamento da dívida e liquidez injeções que se propagam por todos os ativos de risco.
Cadeia causal (simplificada)
- O abrandamento demográfico e da produtividade obrigam os governos a depender de um crescimento impulsionado pela dívida.
- Para gerenciar o peso da dívida, os bancos centrais ajustam a liquidez (por meio de QE/QT, operações de recompra e ferramentas do balanço patrimonial).
- A expansão da liquidez leva a condições financeiras mais favoráveis e a um maior apetite pelo risco.
- A contração da liquidez restringe o crédito, desacelera o crescimento e reduz os preços dos ativos.
- O Bitcoin e outros ativos de risco reagem diretamente aos fluxos de liquidez — e não apenas a eventos internos.
Evidências empíricas
- Desde 2008, as principais altas do Bitcoin coincidiram com expansões da liquidez global (por exemplo, em 2013, 2017 e 2020).
- O ciclo de 2021 terminou mais cedo porque a liquidez atingiu seu pico em março de 2021 e se contraiu ao longo de 2022.
- A GMI informa que a correlação do Bitcoin com os índices globais de liquidez ultrapassa 90%, semelhante à das ações do setor de tecnologia.
Pontos fortes
- Explica a sincronização entre as classes de ativos — Bitcoin, ações, títulos e commodities.
- Fornece indicadores macroeconômicos mensuráveis (índices de liquidez, dados do ISM) para prever pontos de inflexão.
- Explica os desvios observados em relação ao modelo de redução pela metade, como o ciclo truncado de 2021.
Limitações
- Exige modelos compostos de liquidez, que variam de acordo com a metodologia.
- A causalidade macro pode ser complexa e difícil de isolar.
- A precisão temporal é menor do que a de um cronograma fixo de redução pela metade.
Como cada um explica o ciclo de quatro anos
Ambas as estruturas prevêem ciclos de vários anos, aproximadamente. A diferença reside em por que elas ocorrem. A redução pela metade oferece uma frequência de clock do lado do fornecimento, enquanto *The Everything Code* descreve o onda de liquidez que movimenta todos os mercados simultaneamente.
Interação: como as duas teorias se sobrepõem
Na prática, os ciclos de halving e de liquidez provavelmente interagir. As reduções pela metade definem um ritmo estrutural para a emissão do Bitcoin, enquanto a liquidez determina se esse ritmo resulta em uma alta significativa ou em uma fase de estagnação.
- Ciclo de 2017: O halving (2016) coincidiu com a expansão da liquidez global → forte mercado em alta.
- Ciclo de 2021: O Halving (2020) teve início em meio a níveis recordes de liquidez, mas o aperto monetário ocorrido no final de 2021 pôs fim à alta antes do previsto.
- Ciclo de 2024: O Halving (2024) teve início em meio a uma renovada expansão da liquidez após as renovações da dívida de 2025, sugerindo o potencial para um mercado em alta mais prolongado e alinhado com o cenário macroeconômico.
A redução pela metade proporciona a faísca; a liquidez proporciona o combustível.
Dicas práticas para investidores
- Use as duas estruturas em conjunto. Os cronogramas de halving podem orientar o posicionamento de longo prazo, enquanto os indicadores de liquidez (condições financeiras, ISM, M2 global) ajudam a determinar o momento certo para entrar e sair do mercado.
- Monitorar dados macroeconômicos. Os balanços patrimoniais dos bancos centrais, as emissões do Tesouro e os calendários de vencimento da dívida costumam indicar grandes mudanças na liquidez.
- É de se esperar que o impacto do halving vá diminuindo. À medida que o Bitcoin amadurece, a liquidez e a adoção podem passar a determinar o comportamento dos ciclos futuros.
- Reconheça o feedback comportamental. Os participantes do mercado que esperam altas impulsionadas pelo halving podem criar padrões de compra que se auto-realizam — amplificados ou atenuados pelas tendências de liquidez.
Riscos e limitações
- Reduzindo os riscos pela metade: dependência excessiva de padrões do passado e desconsideração das mudanças macroeconômicas.
- Riscos de liquidez: incerteza do modelo e possíveis atrasos nos dados.
- Choques macroeconômicos: guerras, picos de inflação ou mudanças nas políticas podem anular ambos os modelos.
- Excesso de confiança na narrativa: Partir do pressuposto de que um único modelo explica totalmente o comportamento do mercado leva a uma interpretação equivocada dos ciclos.
Ambas as teorias captam aspectos da realidade — nenhuma delas oferece uma previsão perfeita.
Conclusão
O Hipótese da Redução pela Metade do Bitcoin e O Código do Tudo explicam esse mesmo ritmo de quatro anos a partir de duas perspectivas complementares. A redução pela metade define a cadência interna da oferta do Bitcoin — uma redução previsível que sustenta a escassez de longo prazo. O “Everything Code” define o regime global de liquidez — o oceano externo no qual o ciclo do Bitcoin se desenrola.
Para investidores e pesquisadores, a conclusão é clara:
- O redução pela metade é o coração estrutural do Bitcoin.
- Liquidez é a pressão arterial do sistema financeiro global.
Quando ambos se alinham, o Bitcoin passa por suas expansões mais intensas. Quando divergem, o ciclo pode se encurtar, se estabilizar ou estagnar.
Em 2026, à medida que a liquidez voltar a se expandir após grandes rolagens de dívida, ambos os modelos apontam para condições macroeconômicas favoráveis — mas somente o tempo revelará se o ritmo de quatro anos permanecerá tão preciso quanto o código que o inspirou.






